O novo valor do café arábica ainda não é suficiente para custear o processo produtivo em muitas regiões do País

O novo valor do café arábica ainda não é suficiente para custear o processo produtivo em muitas regiões do País

Anunciado em maio pelo Conselho Monetário Nacional, o novo valor do café arábica ainda não é suficiente para custear o processo produtivo em muitas regiões do País, avalia Fernando Peternelli, analista de mercado da FJ Consultoria.

O preço mínimo ficou estabelecido em R$ 307 por saca (60 quilos) e é destinado ao tipo 6, bebida dura para melhor, com até 86 defeitos, peneira 13 acima, admitido até 10% de vazamento e teor de umidade de até 12,5%.

Peternelli cita, como exemplo, o Sul de Minas Gerais, onde as propriedades, pequenas, ainda têm baixo nível de mecanização. “Nessa região, o custo para produzir e colher uma saca de café supera os R$ 320,00, ou seja, o produtor precisa investir capital de fora para pagar as contas”, diz. Para o analista, há produtores que utilizam um alto nível de mecanização e irrigação em suas lavouras, obtendo assim o custo da saca abaixo dos R$ 250,00. Assim, há uma pequena margem de lucro.

Colheita de Café no Sul de Minas Gerais

O reajuste no preço mínimo era uma reivindicação antiga dos produtores. Segundo Peternelli, o valor baixo tem, como consequências, a diminuição do uso de tecnologia, desemprego, aumento de doenças e pragas e obtenção de um produto de baixa qualidade. “O produtor acaba investindo menos em nutrição, aplicação de defensivos, irrigação e cuidados na colheita”, considera.

Ele acrescenta que o mercado paga apenas R$ 20,00 a mais por saca de um café de boa qualidade, o que desestimula o gasto adicional em estrutura e tecnologia para a sua produção.

Conforme a Superintendência de Gestão da Oferta da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), responsável pela proposta de preço mínimo, o valor resulta da análise conjuntural das realidades dos mercados interno e internacional do produto e os componentes relacionados ao custo de produção. Também foram considerados os custos variáveis levantados nas principais regiões produtoras do país: Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

Mercado

Na análise de Peternelli, as expectativas para uma grande safra do Brasil estão pressionando o mercado do café arábica. A Conab havia estimado a safra 2013/2014 em 49 milhões de sacas. Recentemente, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos considerou que a safra brasileira pode chegar a 54 milhões de sacas. “Para agravar, o enfraquecimento do real em relação ao dólar também tem desfavorecido o mercado brasileiro nas vendas internacionais”, diz.

De acordo com o analista de mercado, mesmo que o Governo Federal eleve o preço mínimo, compre mais café ou reforce financiamentos, as dificuldades do setor continuarão, em razão da safra recorde e do estoque volumoso que terá que ser vendido, especialmente com a entrada da nova safra e a necessidade do produtor liquidar para pagar suas contas.

“Particularmente, eu não acredito numa rápida recuperação dos preços do café. A cotação não deve ultrapassar os R$ 350,00. Uma possível melhora nos preços pode ocorrer na entressafra 2015/2016, quando, segundo previsões, a oferta volta a ser equiparada com a demanda mundial pelo café”, conclui.

PORTAL TERRA / Economia

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