Intoxicação crônica causada por uso de agrotóxico sem proteção

Após 30 anos de uso de forma indevida – sem orientação ou assistência técnica – de agrotóxicos em sua lavoura, o agricultor Sebastião Barroso descobriu há oito meses que a saúde está comprometida devido a uma intoxicação crônica. Barroso conta que sente dores em várias partes do corpo e mal consegue ficar em pé.

O agricultor conta que saía de casa às 5h em uma voadeira – espécie de embarcação de pequeno porte – e seguia para o sítio onde cultivava melancia, milho e mandioca. Lá, diariamente Barroso fazia uso de 20 bombas de agrotóxico por um período de 10 horas, cada uma delas abastecia o veneno diluído em 20 litros de água.

Após oito meses e alguns exames, o agricultor descobriu que o uso indiscriminado dos agrotóxicos durante 30 anos ocasionou uma intoxicação crônica. Atualmente com 49 anos, o agricultor não imaginava que poderia adquirir um problema de saúde por não usar de forma correta os equipamentos de proteção individual durante a aplicação dos agrotóxicos em sua plantação.

“Tinha dias que eu passava 20 bombas, outros que eu passava só 18 bombas. Passava bastante mesmo para poder dar conta da lavoura, colher e sobreviver. A minha casa foi feita toda com o que eu ganhei com a plantação da lavoura”, diz o agricultor.

O uso de EPI’s é indispensável

Segundo o engenheiro agrônomo Roberto Santiago, o manejo correto do agrotóxico deve seguir três passos importantes; a receita agronômica deve ser emitida por profissionais habilitados, sejam agrônomos, engenheiros florestais ou técnicos agropecuários, que devem ir à propriedade para avaliar se há necessidade de aplicar o produto. “Sendo assim, emite-se a receita e o próprio profissional deve orientar o produtor, que precisa fazer uso de equipamento de proteção específico, como bomba apropriada e máscara”, explica Santiago.

O engenheiro agrônomo alerta que para evitar os danos ao meio ambiente e contaminações é necessário seguir as orientações. “Se fizer o uso correto do produto, a possibilidade de um agricultor contrair uma intoxicação diminui em torno de 95%”, garante Roberto.

A reportagem é da TV GLOBO

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