Não é hora para ampliar a área da cafeicultura, diz Silas Brasileiro

Não é hora para ampliar a área da cafeicultura, diz Silas Brasileiro

Nesta semana voltaram a emergir anseios para se ampliar a área destinada à cafeicultura no Brasil, por meio de recursos públicos. Entretanto, Silas Brasileiro, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), reitera seu posicionamento contrário à liberação de financiamentos para novos plantios, de forma a não afetar o delicado equilíbrio entre oferta e demanda, provocando conseqüências negativas de aviltamento ainda maior nos preços pagos aos produtores.

Lembramos, também, que o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Carlos Vaz, comprometeu-se – conforme anunciado em nosso boletim semanal de 22 de fevereiro – a emitir um Aviso Ministerial relacionado à expansão do parque cafeeiro no Brasil. O documento será direcionado ao Banco do Brasil, ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao Banco do Nordeste para que esses agentes não utilizem recursos públicos de outros programas para incentivar o aumento da área destinada à cultura.

O CNC defende que os recursos sejam direcionados para a renovação das lavouras antigas do cinturão produtor brasileiro, permitindo a implantação, em espaçamentos adensados, de variedades mais produtivas, resistentes ou tolerantes aos problemas fitossanitários e climáticos. Recordamos, ainda, que é fundamental a realização de estudos que apontem as localidades onde a renovação do parque cafeeiro seja mais premente. Planejamento e visão estratégica são indispensáveis para que a cafeicultura brasileira cresça no tripé das sustentabilidades econômica, social e ambiental.

Dados que corroboram a não expansão da área cafeeira no Brasil e a conseqüente ampliação da produção foram divulgados, nesta semana, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). A receita cambial com exportação de café verde apresentou queda de 23,86% no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2012. O faturamento chegou a US$ 830,952 milhões, ante US$ 1,091 bilhão, conforme números apurados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) da Pasta. Saliente-se que, apesar da queda na receita, o volume embarcado no primeiro semestre de 2013 apresentou alta de 7,82%, totalizando 255.017 toneladas frente às 236.521 toneladas nos dois primeiros meses do ano passado.

Na semana, as cotações do contrato futuro do café arábica, com vencimento em maio de 2013, acumularam perdas de aproximadamente 4% na Bolsa de Nova Iorque. Especulações quanto ao volume da safra brasileira, cuja colheita se iniciará em abril, e sobre uma possível recuperação da oferta de café na Colômbia têm se sobreposto aos impactos negativos da disseminação da ferrugem nos cafezais da América Central.

O mercado doméstico permanece com a oferta retraída, pois os preços atuais não são suficientes para cobrir os custos de produção, comprometendo a sustentabilidade econômica do cafeicultor brasileiro. Embora agentes de mercado registrem preocupação quanto ao volume armazenado no país, as projeções do CNC, com base nos dados de consumo e exportações, indicam que os estoques de passagem não atingirão níveis significativamente mais elevados em relação aos da safra anterior.

Em função da heterogeneidade do parque cafeeiro nacional, que permite a produção dos mais variados tipos de bebidas, e da disponibilidade de tecnologia, o Brasil é um dos poucos ofertantes com potencial para suprir a crescente demanda mundial.

Porém, os produtores não podem arcar com esse compromisso sem a contrapartida de garantia de renda na atividade. Nesse sentido, é fundamental que o Ministério da Agricultura confirme, com urgência, a disponibilização de instrumentos de política agrícola para que o setor tenha fôlego para manter seus níveis de produtividade.

Os cafeicultores não estão demandando subsídios diretos à produção, e sim mecanismos de política pública que permitam o ordenamento da oferta e a garantia de renda, como os programas de Opções e o Pepro, vinculados a um preço mínimo que reflita a realidade dos custos de produção nacional.

Com informações do Diário do Comércio

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