Produção de feijão pode recuar em 2014
Produtores consultados pelo DCI afirmam que a área plantada com o grão deve sofrer pressão do aumento da fronteira da Soja, que por causa dos altos preços está atraindo os produtores neste início de plantio.
Em Unaí, um dos principais polos de cultivo de feijão no País, o agricultor Alcides Ribeiro dos Santos conta que vai diminuir pela metade a área plantada com feijão na próxima safra para dar lugar ao plantio de Soja. “Plantei em outubro 300 hectares. Agora serão 150 hectares”, afirma o produtor. Ele diz que, além do preço da Soja mais atrativo, os gastos para combater a praga da mosca branca também foi um elemento importante em sua decisão. Nesse ano, ele chegou a pagar quase R$ 800 por 14 aplicações de agrotóxico. Mesmo assim, a mosca branca reduziu sua produtividade de 35 sacas por hectare para 18.
Porém, se a tendência de redução de área se confirmar, o Brasil deverá produzir ainda menos feijão na próxima safra e pode ser forçado a aumentar as importações. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção foi de 2,8 milhões na safra 2012/2013, queda de 2,9% ante a safra passada.
Com isso, as importações de feijão já chegaram a 305,6 mil toneladas em agosto, alta de 24,7% na comparação anual.

O coordenador do Centro de Inteligência do Feijão (CIFeijão), João Ricardo Albanez, é mais otimista. Ele afirma que as últimas duas quebras de safra ocorreram por problemas climáticos e acredita que regiões produtoras como Paraná terão aumento de área plantada no próximo período, que começa em outubro deste ano. Albanez aposta ainda na melhoria das variedades das sementes para aumentar a produtividade o que pode garantir uma produção maior na próxima safra. “Temos extensão territorial enorme para a expansão. Principalmente com a irrigação”, técnica adotada na terceira safra do grão, colhida em agosto. Ele concorda, porém, que a atratividade da Soja pode representar uma ameaça à produção do feijão.
Para Rui Russomano, diretor da Bolsa de cereais de São Paulo, é preocupante quando outra cultura começa a dar uma rentabilidade muito maior. “Só vai mudar isso na medida em que o governo der incentivo ao produtor”, diz.
A isenção do imposto de importação, que tem garantido preços menores do grão, não é visto como uma ameaça à produção nacional pelos produtores. O governo prevê que as importações alcancem 400 mil toneladas.
Com informações do CenárioMT




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